Acendem-se as luzes, assim como o brilho nos olhos das crianças. O vazio começa a preencher as carteiras dos pais, a expectativa nos corações de todos nós, da criança que há em cada um de nós.
Muitos presentes para alguns. Para outros, nem tanto… Afinal o que conta é a intenção, não é? Portanto a fartura nunca compensará o calor e o carinho de algo mais único, especial… se é que me faço entender. Talvez conheçamos pessoas para as quais uma laranja seria um presente espectacular, como também pessoas que se afogam na sua ganância, quem sabe talvez por lhes terem afogado em presentes desde sempre… os adultos de hoje foram as crianças de ontem, do mesmo modo que as crianças de hoje serão os adultos de amanhã. O espírito natalício promove esta cultura consumista, mas não devia ser materialista, logo superficial, mas sim um consumo de afectos, de partilha, um consumo do «presente» que é o momento, o tempo que passamos com os que nos são queridos. Gozar esses instantes de sentimentos recíprocos… Não é que isto não aconteça, mas se há algo que o aliena, que o omite, quase, não hajam muitas dúvidas… e o Pai Natal existe, por isso é que vamos às compras, quase que por obrigação, quase que por dever social, um costume ou tradição a cumprir, sob pena de sermos (minimamente) rejeitados, até um certo ponto, pelos demais.
Deixamos todos os nossos sentimentos reservados para um dia em particular. O Natal não é excepção, à semelhança do dia da Mãe, dia do Pai, aniversários, São Valentim, etc.. Tudo bem, antes guardar tanto “amor” e “amizade” para um dia do ano, do que estar 365 dias sem sequer demonstrá-lo uma única vez… há muita “timidez” entre amigos e parentes. Crise de relacionamentos na sociedade? Não, claro que não, apenas a vida se tornou tão absorvente que é preciso agendar as datas em que supostamente iremos demonstrar afecto, ou melhor, em que iremos demonstrar a verdadeira dimensão do nosso afecto pelos nossos entes queridos, quer sejam família ou não. Mas isto não deveria ser natural? Espontâneo? Pois é, estamos demasiado concentrados noutras coisas para sequer nos preocuparmos com isso… será? (não tenho tempo para me preocupar com isso).
Abdicámos desta parte integrante da natureza humana, do lado afectivo, emocional e sentimental, para se tornar um ritual, algo desumanizado. Uma vez por ano e não uma constante no nosso dia a dia.
Não sejamos fatalistas, mas não sabemos se viveremos o suficiente para amanhã acordar, não é? Não disse hoje o quanto amava alguém, amanhã poderá ser mesmo impossível dizê-lo… Mas não seja por isso que devamos passar a dizer tudo o que sentimos a toda a hora. Tornamo-nos especialmente compreensivos, fraternos e solidários nesta época do ano, mas, então, o Natal deveria ser todo o ano. É nesse sentido que devíamos preocuparmo-nos mais uns com os outros, passar mais tempo com quem nós amamos e dizer mais vezes o que sentimos e pensar menos vezes o que sentimos.
Peça menos presentes, ofereça o seu amor. Não custa muito fazer do Natal, um Feliz Natal.
Boas Festas e um Próspero Ano Novo. |
2005-12-21 12:58:02 - 10 comentários.
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